12.6.04

Portugal 1-2 Gr�cia
EURO 2004

Inaugura��o com Gregos
Rui Rio entra no Est�dio do Drag�o pela primeira vez, afivelando um sorriso de gozo. Entrar na catedral portista sem convite de Pinto da Costa, � uma vit�ria que n�o esquecer�.
O soberano Collina, apita para o come�o do jogo.
Seis minutos depois, a Gr�cia marca o primeiro golo. Remate ainda longe da �rea, com Ricardo a reagir tarde e a permitir que a bola entrasse. H� gente no Drag�o a gritar por Ba�a.
Chega o intervalo com Scolari a mascar a mesma pastilha el�stica.
Para a segunda parte, mete Deco e Ronaldo nos lugares de Rui Costa e Sim�o.
Os gregos, muito altos e poderosos fisicamente, al�m de um rigoroso sistema t�ctico, ou n�o fossem treinados por um alem�o, chegam ao 2-0 num contra-ataque travado em falta j� dentro da �rea por Ronaldo. Penalty com a bola para um lado e Ricardo para o outro.
J� depois dos noventa minutos, Ronaldo redime-se e marca o tento de honra.
Derrota amarga, num faduncho que se repete, com o fantasma da Coreia a pairar sobre o Drag�o.
Ap�s o apito final de Collina, um vulto de p� na tribuna, com as m�os nos bolsos. Pinto da Costa assiste � primeira derrota no Est�dio do Drag�o.
L� fora, em cada janela uma bandeira.


Jogo �s 17:00, seguido do inqualific�vel Coirato.

11.6.04

Lambert for you
� Grega
O que um povo come, � algo da sua identidade. Ajuda-nos a conhec�-los, o que n�o quer dizer que nos ajude a ganhar-lhes ao futebol.
Descasque camar�es grandes, deixe-lhes a barbatana caudal e tempere-os com sal, pimenta e alho.
Deixe-os a tomar gosto durante meia hora.
Passe-os depois por ovo batido, p�o ralado e frite-os em azeite.
Corte alguns cubos de queijo Feta (� um queijo grego que encontra nos bons supermercados), passe igualmente por ovo e p�o ralado e frite.
Acompanhe com um arroz � grega, feito como o nosso arroz de ervilhas, melhorado com pedacinhos de cenoura e pimento vermelho.
Leve � mesa enfeitando com lim�o.
Com o tempo quente que se faz sentir, brindei com um ros� fresquinho.

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10.6.04

Doces �guas e claras do Mondego,
doce repouso de minha lembran�a,
onde a comprida e p�rfida esperan�a
longo tempo ap�s si me trouxe cego;

de v�s me aparto; mas, por�m, n�o nego
que inda a mem�ria longa, que me alcan�a,
me n�o deixa de v�s fazer mudan�a,
mas quanto mais me alongo, mais me achego.

Bem pudera Fortuna este instrumento
d'alma levar por terra nova e estranha,
oferecido ao mar remoto e vento;

mas alma, que de c� vos acompanha,
nas asas do ligeiro pensamento,
para v�s, �guas, voa, e em v�s se banha.











Luiz de Cam�es

Foto: ZGarcia
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9.6.04

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os bra�os, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(H�, nos olhos meus, ironias e cansa�os)
E cruzo os bra�os,
E nunca vou por ali...

A minha gl�ria � esta:
Criar desumanidade!
N�o acompanhar ningu�m.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha m�e

N�o, n�o vou por a�! S� vou por onde
Me levam meus pr�prios passos...

Se ao que busco saber nenhum de v�s responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os p�s sangrentos,
A ir por a�...

Se vim ao mundo, foi
S� para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus pr�prios p�s na areia inexplorada!
O mais que fa�o n�o vale nada.


Como, pois sereis v�s
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obst�culos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos av�s,
E v�s amais o que � f�cil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes p�tria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e fil�sofos, e s�bios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e c�nticos nos l�bios...

Deus e o Diabo � que guiam, mais ningu�m.
Todos tiveram pai, todos tiveram m�e;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que h� entre Deus e o Diabo.

Ah, que ningu�m me d� piedosas inten��es!
Ningu�m me pe�a defini��es!
Ningu�m me diga: "vem por aqui"!
A minha vida � um vendaval que se soltou.
� uma onda que se alevantou.
� um �tomo a mais que se animou...
N�o sei por onde vou,
N�o sei para onde vou
- Sei que n�o vou por a�!











Jos� R�gio

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8.6.04

INFO EURO2004
Bola com novo formato
Fomos obrigados a alterar o formato dos posts da bola para o Euro2004.
Abramovitch contratou Coirato como olheiro, pelo que n�o podemos utilizar as aberra��es do nosso habitual comentador EM DIRECTO.
Depois de acaloradas negocia��es, sobre o n�mero de cervejas por jogo, l� conseguimos o seu contributo, mas apenas no final dos jogos. As suas exig�ncias foram mais que muitas, pois n�o quer mais as suas bocas escondidas na caixa de coment�rios. Haver� um coment�rio final por jogo, no frontisp�cio do post.
Amea�ando com os russos, exigiu ainda uma cor e um tamanho espec�fico para o seu texto.
Come�a no s�bado com os gregos..


7.6.04

Creio que foi o sorriso
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz l� dentro,
apetecia entrar nele
tirar a roupa,
ficar nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar,
morrer naquele sorriso












Eug�nio de Andrade

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6.6.04



Omaha Beach (nome de c�digo dado a Coleville-sur-Mer).
6 de Junho de 1944.
Um capel�o celebra Missa na inaugura��o de um Cemit�rio
Americano, dos mortos no desembarque do Dia-D.

Robert Capa / Magnum Photos.

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